Roberto Menescal é um dos nomes mais emblemáticos da música brasileira e um orgulho inestimável para a Musimagem Brasil na condição de associado benemérito. Como um dos grandes precursores da bossa nova, o compositor, arranjador e instrumentista construiu uma trajetória brilhante que atravessa gerações e continua a impactar profundamente a identidade musical do país e a criação para o audiovisual.
Sua contribuição para o cinema nacional é histórica e marcante. Ao longo de sua carreira, Menescal esteve à frente da criação, arranjo e direção musical de obras fundamentais da nossa cinematografia. Em A Garota de Ipanema (1967), dirigido por Leon Hirszman, compôs a trilha sonora em parceria com Eumir Deodato e Antônio Carlos Jobim. Em O Homem Que Comprou o Mundo (1968), de Eduardo Coutinho, assinou a trilha original por completo. Marcou também a sonoridade urbana do final dos anos 60 com a trilha original e arranjos de Penúltima Donzela (1969), de Fernando Amaral.
Na década de 1970, sua atuação no audiovisual seguiu intensa: atuou nos arranjos e na direção musical das composições de Chico Buarque em Joana Francesa (1973), de Carlos Diegues, e esteve na direção musical e coordenação de arranjos de Vai Trabalhar, Vagabundo! (1973), dirigido por Hugo Carvana. Em 1979, para o clássico Bye Bye Brasil, também de Carlos Diegues, compôs a famosa música-tema em parceria com Chico Buarque, além de ser o responsável pela melodia e pelos arranjos principais do longa ao lado de Dominguinhos.
Aos 88 anos de idade, Menescal vivencia uma fase de extraordinária vitalidade artística. Com uma agenda intensa que reúne cerca de cinco apresentações por semana, o mestre percorre palcos por todo o Brasil liderando diferentes projetos e parcerias — desde sua marcante apresentação no Palco Mundo do Rock in Rio como convidado de Luísa Sonza até trabalhos ao lado de Cris Delanno, Reginaldo Vargas, Danilo Caymmi e Patty Ascher.
Com um critério rigoroso focado na entrega e na paixão pela música, o mestre aceita apenas os projetos nos quais sente que pode contribuir de forma verdadeira e relevante. Longe do saudosismo, Menescal celebra as novas releituras de suas canções históricas por artistas mais jovens e resume sua filosofia afirmando que tem saudade do futuro, pois o passado ele já fez. A Musimagem Brasil celebra a trajetória inspiradora de Roberto Menescal, cuja dedicação incansável, generosidade e constante olhar para o futuro servem de referência para todos os compositores da nossa entidade.